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Espadas frias, nítidas espadas, (1)

duras viseiras já sem perspectiva, (2)

cetro sem mãos, coroa já não viva (3)

de cabeças em sangue naufragadas; (4)

anéis de demorada narrativa, (5)

leques sem falas, trompas sem caçadas, (6)

pêndulos de horas não mais escutadas, (7)

espelhos de memória fugitiva; (8)

ouro e prata, turquesas e granadas, (9)

que é da presença passageira e esquiva (10)

das heranças dos poetas, malogradas: (11)

a estrela, o passarinho, a sensitiva, (12)

a água que nunca volta, as bem-amadas, (13)

a saudade de Deus, vaga e inativa...? (14)

Meireles, C. Obra Poética. Ed. Nova Aguilar, 1987.

 
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