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O papel do meio ambiente *

1. O primeiro parágrafo resume os vários passos pelos quais  o papel do meio foi sendo desvendado. Explicite-os.

2. A posição de Watson e Hull exemplifica o modelo mecanicista de causação do comportamento. Qual a limitação desse modelo?

3. De que maneira a tentativa de “salvar a fórmula estímulo-resposta” produziu o resultado oposto de devolver a determinação do comportamento para dentro do organismo?

4. O estímulo como “pista” ou “indício” só é eficaz quando o organismo necessita dele. Neste caso qual é a “causa” do comportamento?

5. Que crítica o autor faz a “impulsos”, “variáveis emocionais”(como o medo, por exemplo) e “instintos” como “causas” do comportamento?

6. Segundo o texto “memória” é comportamento ou “causa” de comportamento?

7. Nas formulações derivadas da teoria da informação “os processos centrais ainda são necessários”. Quais são esses “processos centrais” na psicologia clássica? Que crítica se pode fazer a esses processos?

8. Observe que até este ponto do texto a explicação do comportamento está centrada na determinação pelo evento antecedente ao comportamento, quer esteja ele fora, quer esteja ele dentro do organismo. Esta forma de explicar o comportamento segue o modelo causa-efeito. Embora, possa parecer óbvio que esse é o modelo explicativo da ciência, veremos que não é bem assim. Há outras possibilidades.

9. As explicações dentro do organismo não são biológicas, como pode parecer à primeira vista, mas inventadas ou metafóricas. Qual a relevância desta distinção quanto à natureza da explicação?

10. A inclusão da ação do ambiente sobre o organismo depois da resposta acaba com o modelo mecanicista de explicação do comportamento. Poucos críticos (e até mesmo adeptos pouco formalizados com os escritos de Skinner) reconhecem este avanço da teoria Skinneriana.

11.  A partir desta concepção do papel do ambiente, Skinner introduz o modelo de determinação do comportamento pela seleção por consequências, um análogo comportamental à seleção natural de Darwin. Procure entender este modelo, pois com ele seguiremos por muito tempo... fará parte do arquivo das grandes contribuições do homem para a compreensão da Natureza ao lado de contribuições como as de Newton, Galileu, Einstein, Darwin, etc.

12. Como algo que ocorre depois de um evento pode ser considerado causa do evento?

13.  Há diferença entre dizer que:

       a.  o gato (de Thorndike) pressiona a alavanca para obter o alimento e b. o gato pressiona a alavanca e obtém alimento?

14.  O que significa “a consequência é imediatamente contingente”?

15.  Segundo Skinner, o “melhor” desempenho do gato de Thorndike (o gato suspendia a tranca cada vez mais rapidamente) era devido a outros comportamentos do gato na gaiola irem sendo “apagados” ou ao fortalecimento da resposta de destravar a tranca? Que consequências práticas derivam de uma interpretação ou outra?

16.  O que é uma variável dependente (VD)? Qual a VD com que trabalha a Psicologia?

17.  O que é uma variável independente (VI)? Qual a VI com que trabalha a Psicologia?

       Os seguintes trechos de Skinner (extraídos do Ciência e Comportamento Humano, Ed. Universidade de Brasília, 1967) fornecem importantes informações sobre os temas das questões 16 e 17:

“Os termos “causa” e “efeito” já não são usados em larga escala na ciência. Têm sido associados a tantas teorias da estrutura e do funcionamento do universo que já significam mais do que os cientistas querem dizer. Os têrmos que os substituem, contudo, referem-se ao mesmo núcleo fatual. Uma “causa” vem a ser uma “mudança em variável independente” e um “efeito”, uma “mudança em uma variável dependente”. A antiga “relação de causa e efeito” transforma-se em uma “relação funcional”. Os novos têrmos não sugerem como uma causa produz o seu efeito, meramente afirmam que eventos diferentes tendem a ocorrer ao mesmo tempo, em uma certa ordem. Isto é importante, mas não é decisivo. Não há especial perigo no uso de “causa” e “efeito” em uma discussão informal se estivermos sempre prontos a substituí-los por suas contrapartidas mais exatas.” (pg. 21).

         “As variáveis externas das quais o comportamento é função dão margem ao que pode ser chamado de análise causal ou funcional. Tentamos prever e controlar o comportamento de um organismo individual. Esta é a nossa “variável dependente” - o efeito para o qual procuramos a causa. Nossas “variáveis independentes” - as causas do comportamento - são as condições externas das quais o comportamento é função. Relações entre as duas - as “relações de causa e efeito” no comportamento - são as leis de uma ciência. Uma síntese destas leis expressa em têrmos quantitativos desenha um esboço inteligente do organismo como um sistema que se comporta.

         Isto deve ser feito dentro das fronteiras de uma ciência natural. Não é lícito pressumir que o comportamento tenha propriedades particulares que requeiram métodos únicos ou uma espécie particular de conhecimento. Muitas vezes argumenta-se que um ato não é tão importante quanto o “intento” que está por trás dele, ou que somente pode ser descrito em termos do que “significa” para o indivíduo que se comporta ou para outros que possam ser afetados por ele. Se afirmações deste tipo tiverem de ser úteis para propósitos científicos, deverão estar baseadas em eventos observáveis, e é exclusivamente em tais eventos que se deve confinar uma análise funcional. Ver-se-á mais tarde que ainda que termos como “significado” e “intenção” pareçam referir-se a propriedades do comportamento, geralmente ocultam referências a variáveis independentes. Isto também vale para “agressivo”, “amigável”, “desorganizado”, “inteligente”, e outros termos que parecem descrever propriedades do comportamento mas na realidade referem-se às suas relações de controle.

         É preciso também descrever as variáveis independentes em termos físicos. Com freqüência se faz um esforço para evitar o trabalho de analisar uma situação física adivinhando o que ela significa para um organismo ou distinguindo entre o mundo físico e um mundo psicológico da “experiência”. Este procedimento também reflete uma confusão entre variáveis dependentes e independentes. Os eventos que afetam um organismo devem ser passíveis de descrição na linguagem da ciência física. Argumenta-se às vezes, que são exceções certas “forças sociais” ou as “influências” da cultura e da tradição. Mas não podemos apelar para entidades desta espécie sem explicar como elas afetam tanto o cientista quanto o indivíduo sob observação. Os eventos físicos que precisam ser buscados para completar tal explanação nos fornecem uma alternativa adequada para uma análise física.

         Ao nos confinarmos a estes eventos observáveis levamos grande vantagem, não somente em teoria, mas também na prática. Uma “força social” não é mais útil na manipulação do comportamento que um estado interior de fome, ansiedade ou ceticismo. Assim como devemos relacionar estes eventos internos às variáveis manipuláveis das quais são função, se quisermos fazer uso prático deles, também precisamos identificar os eventos físicos através dos quais uma “força social” afeta o organismo, para manipulá-los com propósitos de controle. Ao lidar com os dados diretamente observáveis não precisamos nos referir nem aos estados internos nem à força externa.” (pp. 28 e 29)

         Num outro texto, Killeen (Peter R. Killeen, Emergent Behaviorism, capítulo 18 do livro de Madgil, S. e Madgil, C. (1987). B.F. Skinner - Consensus and Controversy. The Falmer Press, Philadelphia) escreveu sobre as variáveis independentes (de Skinner):

        “Suas variáveis independentes eram contingências de reforçamento definidas em termos dos parâmetros dos esquemas, operações motivacionais definidas em termos de operações de privação e estímulos definidos tanto em termos de parâmetros físicos como da natureza do comportamento que eles controlaram”. A definição “genérica”, ou funcional, de estímulos e respostas forneceu um meio para escapar dos problemas que surgiriam com o uso de atenção, elaboração e outros processos mentais.” (pg. 221). O mesmo autor em nota na pg. 232 faz interessantes distinções: “Alguns destes constructos são definidos operacionalmente (contingências e operações motivacionais) e outras são definidas funcionalmente (estímulos e respostas). Assim, um esquema de razão fixa 1000, que seja ineficaz para manter um comportamento, permanece um esquema FR 1000, mas um “estímulo”, que é ineficaz para controlar comportamento, não é um estímulo”. Pode ocorrer confusão, quanto a maneira de definir um operante. “Assim, enquanto teoricamente o operante é um ato  (isto é, é definido funcionalmente), na realidade é, usualmente, definido  operacionalmente como o funcionamento de micro-interruptores (do equipamento)”.

18.  Que são variáveis de contexto? Ler texto anexo para compreender este conceito.

19. Qual a diferença entre reforçadores positivos e negativos? Dê exemplos.

20.  Operante é uma palavra que expressa a ação do organismo sobre o ambiente. Que implicações tem esta concepção de operante (em contraposição ao conceito de respondente)?

21.  O autor fala “construímos um operante”, mas o operante já não está no organismo?

22.  O que é um estímulo discriminativo? Em que ele difere do CS de Pavlov? Em que eles se assemelham?

23.  “O fato importante, quanto à unidade resultante, não é a sua  topografia”. Comente esta frase do autor.

*   Skinner, B. F. (1984). Contingências do Reforço. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril. Publicação original 1969.

*   Roteiro preparado por Hélio José Gulhardi para uso exclusivo dos grupos de estudo e de supervisão do Instituto de Análise de Comportamento – Campinas.

 
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