Intervenção Comportamental com Indivíduos Autistas
O autismo é classificado como Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. É uma síndrome com determinantes orgânicos e ambientais, sem causas definidas. O espectro autista é caracterizado pelo prejuízo grave no desenvolvimento de interações sociais (falha no contato visual, expressão facial, ausência de procura espontânea de compartilhamento de emoções, interesses etc.), na comunicação (atraso ou ausência total na comunicação vocal, uso estereotipado ou repetitivo da linguagem) e importante limitação na variabilidade comportamental (repertório de comportamentos restrito, estereotipias).
Em virtude das características do autismo, é necessária uma intervenção específica. Nos Estados Unidos, o método de intervenção utilizado, conhecido como ABA, surgiu das pesquisas em Análise do Comportamento Aplicada e educação especial, tendo a filosofia do Behaviorismo Radical como norteadora. Utilizado nas principais escolas e institutos1, nos EUA e no Brasil, que trabalham com essa população, este método se mostra efetivo em ampliar repertórios funcionais, de comunicação e de interação social.
O trabalho tem como principais objetivos construir repertórios socialmente relevantes e reduzir repertórios problemáticos, a partir de trabalho individual com aquele que apresenta as dificuldades e com orientação e treinamento sistemáticos para as demais pessoas diretamente envolvidas, tais como pais, professores e cuidadores.
Em vista da necessidade de atendimento especializado fundamentado na Análise do Comportamento, para indivíduos autistas, com desenvolvimento atípico ou dificuldades de aprendizagem, foi criado o Departamento de Autismo, Educação Especial e Psicopedagogia do ITCR-Campinas. O departamento é coordenado pelas psicólogas Priscila Ribeiro e Simone Vilas-Boas e supervisionado pelo Professor Hélio José Guilhardi e Noreen Campbell de Aguirre. Está associado ao Grupo Gradual de São Paulo e adota o método ABA como modelo de intervenção. A intervenção baseia-se em quatro passos fundamentais, não estanques, que acontecem durante todo o período em que o trabalho é realizado.
1) Avaliação inicial - nesta etapa são investigados quais comportamentos o indivíduo já emite, ou seja, o que ele já sabe fazer. Nas entrevistas iniciais com os pais, visitas à escola e observações realizadas, são investigados também os reforçadores em potencial para esse indivíduo, que serão utilizados para ensinar novas classes de respostas.
2) Definição de objetivos a serem alcançados - a partir do que foi observado e das habilidades que o indivíduo já apresenta, são definidos os objetivos comportamentais, sociais, acadêmicos e pessoais. É fundamental avaliar os pré-requisitos de cada tarefa para que os objetivos sejam definidos.
3) Elaboração de programas (procedimentos) - após a primeira avaliação e definição dos objetivos, os programas são desenvolvidos. Todos têm como característica comum a divisão das tarefas em pequenos passos, pois o indivíduo vai aprender gradativamente e será consequenciado a cada resposta correta que emitir. O modelo de intervenção comportamental se caracteriza pela aprendizagem sem erro e pelo uso de dicas para que novos comportamentos sejam instalados no repertório do indivíduo. Equivale a dizer que são empregados procedimentos de reforçamento positivo com consequências contingentes a progressos graduais e sistemáticos (modelagem), com ajuda necessária que se esvanece, enquanto progressos comportamentais são alcançados (fading out).
4) Programação da generalização dos progressos - não basta avançar em contexto programado e familiar; há necessidade de ampliar os progressos comportamentais para diferentes ambientes, na interação com diferentes pessoas e que haja manutenção dos avanços alcançados. Para tal, faz-se presente a implementação de procedimentos que produzam as generalizações apontadas.
5) Avaliação do progresso - o desempenho do indivíduo ao longo da intervenção é registrado e avaliado periodicamente. Tais dados permitirão avaliar a efetividade dos procedimentos e, se for o caso, realizar modificações.
Maiores informações pelo telefone (19) 3294 1960 / 3294 8544 ou pelo e-mail [autismo@terapiaporcontingencias.com.br].
1 Nos EUA: Princeton Child Development Institute, Nova Jersey (www.pcdi.org), The New England Center for Children, Massachusetts (www.necc.org). No Brasil: Grupo Gradual, São Paulo (www.grupogradual.com.br).
